Estava no domingo vendo o jornal quando começaram a falar de consumidores compulsivos. Imagine que havia uma mulher que tinha 3 celulares! Ora, pra que uma pessoa precisa de 3 celulares – pensa você. Eu também não tenho a mínima idéia, mas EU também tenho 3 celulares, ora essa!

Nem adianta dizer que sou consumidora compulsiva TAMBÉM, já dá pra imaginar pelo nome do blog… Mas continuava a reportagem e os psicólogos indicam que as mulheres (principalmente) são consumidoras compulsivas e compram para compensar tristezas e frustrações.

Isso é verdade porque quando a gente “se dá” um presente sente-se confortada e contente, se estiver um pouco deprimida isso consola mesmo. Mas se for um caso de depressão profunda a sensação demora muito pouco tempo, e a pessoa (se for compulsiva como eu) vai logo sentir necessidade de comprar de novo para sentir a mesma sensação.

Acho que funciona mais ou menos como um vício em droga: compramos e sentimos aquela sensação agradável de satisfação, compramos de novo, a sensação boa se repete, e aí caímos num círculo vicioso, porque começamos a nos sentir culpadas por comprar tanto, sentindo culpa ficamos deprimidas – e lá estamos nós no shopping de novo!

Isso sem falar que nem todo orçamento aguenta esse vai-e-vem de lojas e acabamos por chegar à metade do mês sem um tostão, ou com dívidas monstruosas pra pagar (sim, porque compulsiva que se preza, quando acaba a grana usa o cartão de crédito…). Endividadas ou duras nos sentimos deprimidas e… ai! Lá vamos nós para a 25 de março de novo!

O valor da coisa comprada na verdade nem tem tanta importância, e muitas a gente nem vai usar, vão ficar lá na gaveta. O que dá prazer é COMPRAR, usar é o de menos. Na reportagem mostraram uma mulher que tinha 10 blusas ainda com as etiquetas, e ela nem pensava em usá-las, comprou só por comprar mesmo. Eu até a entendo, já cheguei a ter + de 50 calças jeans e 60 pares de sapatos. Quando tudo ficava tão entupido que eu já não tinha lugar para guardar as novas aquisições eu doava. E sem dor no coração… só um pouquinho de dor na consciência por comprar tanto.

E seguia a reportagem mostrando que pessoas concordam em pagar mais caro pelos artigos que compram quando estão tristes ou deprimidas. E é como eu disse, não se questiona o valor das coisas nessa hora, o que a gente quer mesmo é comprar.

Agora estou vivendo uma relação equilibrada, estou satisfeita com minha profissão, não tenho grandes atritos em família, portanto está sendo mais fácil driblar aquela vontade de correr pras lojas. De uma certa forma estou conseguindo vencer essa mania de fazer compras. Mas conheço pessoas que já estão no buraco e continuam comprando.

Como tudo na vida, quando começa a prejudicar os outros setores e trazer transtornos maiores, é hora de procurar ajuda, seja com amigos ou mesmo indo a um terapeuta, porque isso pode virar doença. Ser compulsiva não é crime mas pode destruir sua vida se você não souber quando parar.

Claro que não estou totalmente “curada” – estão aí meus 3 celulares que não me deixam mentir – nem tampouco livre de qualquer recaída que me faça correr para a loja mais próxima e cometer uma loucura, mas consigo passar meses sem comprar nada que não seja necessário e mesmo assim pechincho bastante, não vou comprando logo a primeira coisa que aparece.

Com isso durmo melhor, não tenho aquelas crises de culpa por ter gastado além do que devia (culpa eu aplacava comprando mais). Acho que mesmo que essa “mania” não esteja (ainda) lhe trazendo problemas mais sérios, é sempre bom tentar mudar esse comportamento antes que se torne um problema.

(zailda coirano)

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